O 53º Fenata e o que dizem cinco décadas de festival no interior
Crítica retrospectiva da edição 2025 do Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa, organizado pela UEPG
A 53ª edição do Fenata aconteceu de 9 a 13 de novembro de 2025, com 34 espetáculos, 149 apresentações e 31 grupos. Entre os destaques, Grace Gianoukas em "Dercy", Paulo Betti em peça autobiográfica, e a paranaense Denise Stoklos.

O Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa (Fenata), organizado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, chegou em novembro de 2025 à sua 53ª edição. Cinco décadas e três anos é tempo de verdade — coloca o Fenata entre os mais antigos e tradicionais festivais de teatro do Brasil.
A edição 2025, realizada entre 9 e 13 de novembro, entregou em números: 34 espetáculos, 149 apresentações, 31 grupos participantes. Os destaques anunciados envolveram nomes de peso da cena nacional — Grace Gianoukas, abrindo o festival com o espetáculo Dercy; Paulo Betti, fechando com peça autobiográfica; e Denise Stoklos, a paranaense que se tornou referência internacional nas artes da cena.
A condição de sobrevivência
Festivais culturais no Brasil têm vida curta. A maioria nasce, faz três ou quatro edições, perde patrocínio, perde direção artística, perde público, fecha. Os que duram trinta, quarenta, cinquenta anos são exceção.
Quando uma cidade adota um festival como parte da sua identidade cultural, ele resiste a momentos políticos adversos, a cortes orçamentários, a falta de patrocínio.
O Fenata satisfaz três condições de sobrevivência: a UEPG garante a continuidade institucional, a Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (Proex) mantém o festival na agenda anual, e o festival construiu, ao longo das décadas, ligação afetiva profunda com Ponta Grossa.
A escolha de programação
A inclusão de Denise Stoklos é talvez o gesto curatorial mais significativo. Stoklos, paranaense, é referência internacional nas artes da performance e raramente apresenta no Brasil em festivais de teatro convencionais — sua linguagem cênica não cabe nas categorias usuais. Trazê-la para o Fenata é assumir, pela curadoria, a complexidade do que se entende hoje por teatro.
A tradicional mostra Dez em Cena trouxe três apresentações no Cine-Teatro Ópera — espaço de programação principal do festival, edifício art déco de 1947 (Rua XV de Novembro, 468) gerido pela Secretaria Municipal de Cultura.
O que isso entrega
Para Ponta Grossa, o Fenata é o evento cultural mais importante do calendário anual. Para o Paraná, é demonstração concreta de que cidade média do interior pode produzir e receber arte de circuito nacional sem precisar pedir desculpa pela geografia.
A Cápsula Crítica fará cobertura completa da 54ª edição do Fenata, prevista para novembro de 2026.


